Procurador-geral dos EUA diz que tuítes de Trump tornam seu trabalho 'imposível'

Segundo Bill Barr, alguns comentários de Trump o enfraquecem.

Procurador-geral irá testemunhar no Congresso em março sobre possível pressão do presidente em sentença do consultor político republicano Roger Stone.

O procurador-geral dos EUA, Bill Barr, durante entrevista coletiva em Washington, no dia 13 de janeiro Andrew Caballero-Reynolds/AFP O procurador-geral dos Estados Unidos, Bill Barr, acusou nesta quinta-feira (13) Donald Trump de dificultar seu desempenho à frente do Departamento de Justiça, dizendo que os tuítes do presidente americano estavam tornando "impossível" o seu trabalho.

"Tenho problema com alguns dos tuítes", disse Barr em entrevista à ABC News, acrescentando: "Não consigo fazer o meu trabalho aqui no Departamento com constantes comentários que me enfraquecem".

"Acredito que seja a hora de deixar de tuitar sobre casos do Departamento de Justiça", finalizou.

No próximo mês, Barr deve testemunhar diante do Congresso sobre a decisão, supostamente sob pressão de Trump, de rejeitar o que foi resolvido por seus próprios promotores e buscar uma sentença de prisão mais leve para o veterano consultor político republicano Roger Stone, que foi condenado por mentir em depoimento ao Congresso e manipular testemunhas. Quatro promotores do departamento pediram demissão na última terça-feira em aparente protesto por interferência política.

Trump nega que seus tuítes sobre o caso Stone, nos quais critica a sentença original de 87 a 108 meses de prisão dada a Stone e elogia Barr depois que a sentença foi reduzida pela metade, pressuponham interferência política.

Questionado sobre ter falado com Trump sobre o caso Stone, Barr respondeu: "Nunca".

"Estou feliz em dizer que, de fato, o presidente nunca me pediu nada sobre nenhum caso penal", ressaltou.

Quanto a se estava preparado para a repercussão que terá caso fale algo contra o presidente, Barr respondeu: "Com certeza".

"Não serei intimidado ou influenciado por ninguém", disse, "seja pelo Congresso, pelos jornais ou pelo presidente, vou fazer tudo que considero ser o certo".

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